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“See now, buy now” – entenda o novo fenômeno das fashion weeks.

Marcas aderem ao novo (e polêmico) modelo de negócio que disponibiliza as peças que acabaram de ser desfiladas para venda.

A semana de moda de Nova York é a primeira do calendário que apresenta suas coleções para as próximas estações. Com um caráter muito mais comercial que as outras, ela se destacou nesta última edição ao expor de forma muito mais ampla uma tendência de mercado que ganha cada vez mais adeptos, o “see now, buy now”.  É a mais nova fronteira do varejo de moda, que possibilita a aquisição imediata de peças que foram desfiladas.

O americano Tom Ford trouxe este modelo para o seu desfile e foi o maior destaque nesta última edição. Além dele, marcas como Tommy Hilfiger e a britânica Burberry já aderiram a esta tendência e reformularam seus desfiles e seu calendário de coleções. Segundo argumentos das próprias grifes, o intuito é de suprir uma necessidade de imediatismo em relação ao comportamento de moda que o mundo atualmente experimenta.

Essa novidade, no entanto, não está sendo bem recebida por muita gente. Ainda há uma grande parcela de labels e de organizações que se opõem ao modelo. A Federação Francesa de Costura do Prêt-à-Porter e dos criadores de Moda* – uma das organizadoras e mantenedoras da semana de moda parisiense – rejeitou, por unanimidade, a ideia, numa votação feita com as maisons mais importantes do país.

Alguns dos argumentos apresentados pela própria Federação é que o sistema inviabiliarizaria a produção artesanal das peças, além de prejudicar o trabalho editorial e de divulgação das coleções. Para Ralph Toledano, Presidente do conselho desta organização, o “see now, buy now” só funciona com marcas que trabalham muito mais o marketing, ao invés de priorizar o estilo e exclusividade em suas peças.

Em terras brasileiras, o modelo já teve alguns adeptos, e inclusive a própria organização do São Paulo Fashion Week já alterou seu calendário para favorecer esta tendência. Segundo o próprio evento, esta atualização favorece multimarcas e a imprensa. O Shop2gether, uma das líderes do e-commerce de moda no país, lançou o modelo de pre-order online numa das edições anteriores do evento de moda.

Em entrevista ao portal FFW, Ana Isabel Carvalho Pinto, cap do Shop2gether, defende esta prática como um potencial do mercado em questão. “Com a agilidade que a indústria da moda adquiriu recentemente, ter uma peça que acaba de ser desfilada, fresca em conceito e design, é a nova exclusividade”, comenta. E afirma que as marcas precisam de diferenciais, além de entender o seu público para se manter na atividade. “É um superdiferencial ter a peça on time que tenha o valor criativo de um estilista ou da marca que se admira”, afirma.

Entre adesões e oposições, é preciso concordar que o mercado de moda está cada vez mais veloz. E, para muitas labels, disponibilizar as peças no calor do momento em que estão sendo desfiladas representa uma saída de grande importância, trazendo praticidade e dinamismo alinhados às necessidades de um público cada vez mais exigente.

* Fédération française de la couture, du prêt-à-porter des couturiers et des créateurs de mode.

Fontes:
Portal FFW
Vogue Brasil
Vogue UK
Fashionista


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